Por:Jeff Messias
Feche os olhos e deixe a noite tocá-lo! Sinta a chuva molhar suas roupas enquanto você ouve os sinos de uma igreja anunciando a meia noite.
Cheire o ar ainda poluído pela fumaça dos automóveis e o odor nauseante de lixo acumulado nas ruas, produto da irracionalidade humana.
Feche os olhos e deixe a noite tocá-lo, e você sentirá em parte o que ela é, pois somente um homem pode experimentar a totalidade de sua imensidão: um cego.
Viver na escuridão é quase morte, contudo, ela não tem nenhum sentido quando ainda se tem muito que viver! Felipe não entendia o motivo de estar pensando tanto nisso. Talvez fosse seu subconsciente o estimulando a fazer uma revolução em forma de arte.
Quando resolveu comprar aquele violino, ele não sabia muito bem qual o propósito. Muito menos que iria chegar tão longe. Timidamente começou a arranhar as cordas do seu violino, estava em seu quarto, sentado na beira da cama com a janela aberta para que o som se espalhasse pela cidade, uma simples manhã de outono.
Construía algo parecido com uma música, quando ouviu o latido do seu cão guia, companheiro inseparável, anunciando a presença de alguém em frente à porta, quase ao mesmo tempo em que a campainha estava sendo tocada.
Desceu vagarosamente as escadas que o levaria a porta, pediu para que o tocador de campainha lhe informasse quem era e o que desejava, embora soubesse se tratar de uma pessoa de bom caráter, a julgar pela reação de seu amigo peludo que insistia em agitar a cauda. Uma voz de timbre forte e determinado atravessou a madeira da porta e lhe tocou os tímpanos, avisando o nome e a profissão de seu portador.
Portadora, aliás. Felipe abriu a porta e ela lhe desejou “bom dia”. Angélica possuía uma voz gostosa de ouvir; suave e límpida como uma brisa de primavera. Seus cabelos avermelhados se esparramavam por seus ombros, como se fosse uma calda de um cometa. Se Felipe pudesse vê-la, lhe teria adjetivado simplesmente de ‘encantadora’, um adjetivo um tanto modesto se tratando de Angélica.
Ela pediu licença e entrou na casa se sentindo tão à vontade quanto na dela. Observou o local repleto de cores nas paredes e quase nenhum móvel. Olhou para Felipe alegre em descobrir ser ele o rapaz tocando violino.
Cheire o ar ainda poluído pela fumaça dos automóveis e o odor nauseante de lixo acumulado nas ruas, produto da irracionalidade humana.
Feche os olhos e deixe a noite tocá-lo, e você sentirá em parte o que ela é, pois somente um homem pode experimentar a totalidade de sua imensidão: um cego.
Viver na escuridão é quase morte, contudo, ela não tem nenhum sentido quando ainda se tem muito que viver! Felipe não entendia o motivo de estar pensando tanto nisso. Talvez fosse seu subconsciente o estimulando a fazer uma revolução em forma de arte.
Quando resolveu comprar aquele violino, ele não sabia muito bem qual o propósito. Muito menos que iria chegar tão longe. Timidamente começou a arranhar as cordas do seu violino, estava em seu quarto, sentado na beira da cama com a janela aberta para que o som se espalhasse pela cidade, uma simples manhã de outono.
Construía algo parecido com uma música, quando ouviu o latido do seu cão guia, companheiro inseparável, anunciando a presença de alguém em frente à porta, quase ao mesmo tempo em que a campainha estava sendo tocada.
Desceu vagarosamente as escadas que o levaria a porta, pediu para que o tocador de campainha lhe informasse quem era e o que desejava, embora soubesse se tratar de uma pessoa de bom caráter, a julgar pela reação de seu amigo peludo que insistia em agitar a cauda. Uma voz de timbre forte e determinado atravessou a madeira da porta e lhe tocou os tímpanos, avisando o nome e a profissão de seu portador.
Portadora, aliás. Felipe abriu a porta e ela lhe desejou “bom dia”. Angélica possuía uma voz gostosa de ouvir; suave e límpida como uma brisa de primavera. Seus cabelos avermelhados se esparramavam por seus ombros, como se fosse uma calda de um cometa. Se Felipe pudesse vê-la, lhe teria adjetivado simplesmente de ‘encantadora’, um adjetivo um tanto modesto se tratando de Angélica.
Ela pediu licença e entrou na casa se sentindo tão à vontade quanto na dela. Observou o local repleto de cores nas paredes e quase nenhum móvel. Olhou para Felipe alegre em descobrir ser ele o rapaz tocando violino.
Ela voltaria no dia seguinte e nas próximas semanas para lhe dar aulas de violino. Ele, por sua vez, aprendia rápido e criava suas próprias canções.
Em uma tarde ensolarada, eles saíram juntos para tomar sorvete, ambos sendo arrastados por Spike, que era um husky siberiano bastante agitado, e teve de se contentar apenas com biscoitos caninos. Depois ela disse que gostaria de ficar a sós com ele, então deixaram o cãozinho no Pet Shop.
Angélica levou Felipe para fazer compras. Aquela um dia fora uma estranha, tornava-se aos poucos, de forma rápida e intensa, sua melhor amiga. Mas analisando o bater do coração dele, poderia se disser mais do que simples amiga.
Foram ao shopping. Ela é quem escolhia roupas, cores e modelos. Ela já sabia seu tipo de sapato preferido e que cor lhe caia bem. Depois de algumas horas de passeio e comprar pelo shopping, Angélica o analisou:
Ele estava de smoking de um preto reluzente e sua pele cor de creme e seus cabelos negros o deixavam ainda mais charmoso. "Realmente lindo”, ela pensou.
Saíram felizes e rindo. Ela teria uma surpresa para ele sem saber que ele já planejava algo desde os primeiros ensaios.
Angélica levou Felipe para um espaço feito para alojar centenas de pessoas; com piso de madeira, onde tinha uma poltrona bastante confortável. Ela segurou no cotovelo dele, e carinhosamente o fez sentar na poltrona, entregou-lhe um violino novo, feito de carvalho e pediu para que ele tocasse algumas de suas criações musicais.
Ele começou a tocar com paixão, fiel de que a melodia deveria ser invejada por todos os rouxinóis. Com tanto amor, que as notas saiam como sorrisos. Quando ele terminou, ela o ajudou a levantar enquanto cortinas se abriam e as luzes centralizavam nele. Espaço onde aconteciam concertos e óperas. Ela o virou para a platéia que ouvira o espetáculo, “às escuras”, sem encarar o artista.
Os olhos de Felipe, cegos e frágeis derramavam lágrimas diante daquele público que aplaudia em pé, e puderam compreender a imensidão do Violinista Cego.
Após as lágrimas ele procurou por Angélica, tateando o ar, até que ela lhe deu a mão. Ele a puxou para um beijo apaixonado. A materialização do seu desejo, sem metáforas ou poesias de enganação. Os aplausos ficaram mais fortes, enquanto se abraçavam e ele lhe dizia ao pé do ouvido, sem que ninguém soubesse, como se fosse um segredo íntimo:
- Devo minha dádiva de viver a você, e gostaria de fazer parte da sua. Angélica, quer se casar comigo?
Ela o observou. Ela o amava. Seus olhos se irromperam em lágrimas e lhe respondeu entre sorrisos:
- Você é minha dádiva Felipe! Claro que eu quero me casar com você!
Um casamento era tudo que poderia surgir daquele encontro inesperado. Ela o amava
Realmente, não dá para insistir que o amor é cego, se tudo começa de um simples olhar.
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